Nos dias 10 e 11 de março de 2026, o município sediou consulta livre e prévia com as comunidades Guarani e Kaingang, primeira experiência do gênero do programa no Paraná.
Turvo foi escolhido pelo Governo do Estado do Paraná como projeto piloto para a implementação da Rota Turística Caminhos do Peabiru junto às comunidades indígenas. Nos dias 10 e 11 de março de 2026, a Secretaria de Turismo do Município se uniu à SETU, SEPL e FADEC para realizar a consulta livre e prévia com as comunidades Guarani e Kaingang da região.



O encontro teve como propósito apresentar o programa às lideranças indígenas e verificar o interesse das comunidades em integrá-lo, oferecendo apoio turístico e promovendo suas atividades culturais tradicionais ao longo da rota.
"Iniciamos um processo de escuta ativa para verificar o interesse das comunidades em integrar o programa, contribuindo com serviços de apoio turístico e com a promoção de atividades culturais tradicionais ao longo da rota." Simone Oliveira
Os Caminhos do Peabiru são uma rede de trilhas ancestrais com mais de 3 mil anos, que conecta o Atlântico ao Pacífico, passando pelo Brasil, Paraguai, Bolívia e Peru. No Paraná, a rota atravessa 97 municípios e foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado pela Lei Estadual nº 21.046/2022. O Programa Rota Turística foi instituído pelo Decreto nº 8.025/2024 com o objetivo de transformar esse legado histórico em um atrativo turístico sustentável.



Como próximos passos, o município dará início ao diagnóstico e mapeamento preliminar das trilhas e à formação do Grupo de Trabalho local. A experiência de Turvo servirá de referência para a integração de outras comunidades indígenas ao programa em todo o estado.
SOBRE OS CAMINHOS DO PEABIRU
Originalmente, os Caminhos do Peabiru foram usados para a expansão de territórios, trocas de mercadorias e rituais religiosos. Pesquisadores afirmam que os povos originários seguiam esse caminho sagrado guiados pelo trajeto do Sol, acreditando que chegariam à morada dos deuses, uma jornada conhecida como o "Caminho da Terra Sem Mal", sob a orientação da Via Láctea. Ao longo dos séculos, essa rota foi percorrida pelos incas, pelos povos Guarani, Kaingang e Xetá e, mais tarde, por espanhóis, portugueses, jesuítas e aventureiros.
O nome vem do tupi-guarani: "Peya Beyu" significa "caminho gramado amassado", uma referência à forma como os povos indígenas foram moldando a paisagem ao longo do tempo com seu caminhar.